Harry Potter e a Criança Amaldiçoada (Harry Potter e o filho chato)

Categoria: Literatura  | Tags: Harry Potter
Confesso que não estava assim tão nervosa ou ansiosa para ler A Criança Amaldiçoada quanto fiquei para ler Relíquias da Morte, por exemplo. Provavelmente por causa da narrativa, que eu sabia que não seria realmente o meu tipo preferido. Mas ok, né? Para quem já tinha dado Harry Potter como encerrado, acredito que tivemos sorte de ter acesso ao roteiro da peça.

Li em uma manhã e pode-se dizer que foi uma montanha-russa de emoções, mesmo o livro, em geral, não sendo bom. Mas ao mesmo tempo é. Difícil explicar, pois como libriana que sou, tento ver os dois lados.  Mas, resumindo, a J.K. conhece o seu público e sabe exatamente aonde vai atingir, doer, tocar. 

Por exemplo, achei um tanto desleixado a história de ir e voltar no tempo tantas vezes. Mudar as coisas mais de uma vez e, no fim, conseguir ajeitar o tempo exatamente como ele era. Não existe possibilidade disso acontecer, não é? Até porque, o Alvo e o Escórpio foram vistos em mais de uma ocasião, gente vivendo e gente morrendo a cada versão de passado e futuro. Isso deu um nó tão grande na minha cabeça, pois não condiz muito com  o que a J.K. pregou em Prisioneiro de Azkaban e nos outros livros: existem consequências para quem viaja no tempo e muda as coisas. Alvo e Escórpio não sofreram nenhuma consequência. De nenhum tipo, aliás.

O que nos leva  a outra questão... Que tipo de escola Hogwarts virou, que não expulsaria dois alunos que fizeram o que o Escórpio e o Alvo fizeram? Eu realmente não acho que a Minerva se submeteria daquele jeito. E eu sei, você vai dizer: "mas Bruna, Harry fez coisas mais tensas e nunca foi expulso". Não, não fez coisas tensas ASSIM. E o Harry nunca foi expulso porque o Dumbledore sabia do sacrifício que o Harry teria que fazer no final, nunca foi expulso porque ele mesmo pode ter o colocado nessas situações. 

Mas quanto ao Alvo... Bom, não havia um motivo, um sacrifício, uma desculpa. Ele é apenas um menino mimado brincando de Deus. E dá pra entender que viver à sombra de um pai herói e blablablá, não deve ser fácil. Mas e quanto aos "danos" que o pai herói pode ter causado no Tiago e na Lílian? Não são importantes? Pelo visto NÃO, já que praticamente não são citados no roteiro. São dois filhos esquecidos, invisíveis.

Esquecidos. O que nos leva à Rony Weasley. Merlin, o que DIABOS aconteceu com o Rony? Honestamente, a visão que tive foi de um cara deprimente, capacho de mulher e figurante em todas as situações. Não, J.K., não foi legal isso. Então é essa a moral de colocar Rony e Hermione juntos? Mostrar que em qualquer versão de realidade, o Rony vai ser a sombra da Hermione,  de alguma forma? Nós entendemos desde o começo. Hermione é a cabeça, Harry é o mártir e Rony... Gente, Rony é o amigo fiel, corajoso dentro dos próprios medos. Não muito brilhante, mas nunca um mero fantoche de mulher. Que coisa mais FEIA. Aff.

Bom, para resumir, esse livro foi SIM como ar fresco depois de muito tempo sem. Mas ao mesmo tempo foi um riso na cara dos fãs. E por quê? A história é fraca, e o que sustenta ela são os personagens que os outros sete livros construíram, personagens que aprendemos a amar, que choramos porque se foram, etc. E a J.K. sabe disso, sabe do apego que criamos com certos personagens e usou isso para amarmos um livro que, sinceramente, em outra situação (que não fosse do desespero dos fãs por mais mais mais), acharíamos meia boca


Personagens chinelonas que eu (não vou negar) adoro #5 personagens

Categoria: Seriados| Tags: Aleatoriedades5 personagens

1. Cersei Lannister (Game of Thrones)
"I should wear the armor, and you the gown."    
Cersei, obviamente, é a Rainha das Chinelonas. Há anos vivo numa relação de amor e ódio com essa mulher, que é a mais foda da série inteira. Sim, ela é uma vaca, manipuladora, louca e vingativa, mas acho que todo praticamente todo mundo tem um crush nela, porque ô mulher que sempre consegue dar a volta por cima, com classe ou sem classe.  E sabe o que é melhor? Ela não precisa de dragões pra fazer as pessoas a temerem, não precisa da piedade dos outros pra sobreviver (beijos, Sonsa), só precisa dela mesma e dessa cabecinha brilhante e totalmente louca que aprendi a amar.
2. Princess Aslaug (Vikings)
"I see things others cannot."
Não me entendam mal, sou Team Lagertha e não nego isso nunca, mas eu gosto da Aslaug. Olha esse rosto: como não gostar? O errado na história sempre foi o Ragnar, e eu entendo toda a frustração da Aslaug com ele, com o lugar onde mora, com as pessoas.  Ela sabe que não tem como competir com a Lagertha, mesmo quando a Lagertha não está lá, é ela que o povo ama, é ela que o Ragnar ama, do jeito torto e ridículo dele. Então sim, nossa princesa Aslaug é uma vaca, amargurada pela situação, mas quem não estaria, né? 
3. Katherine Pierce (The Vampire Diares)
"I'll be the safest psychotic bitch in town."
Aaaaaaaaaaah, que saudade da Katherine. É incrível o que a atitude e um cabelo não faz em uma pessoa, né? Katherine era a melhor parte da Nina Dobrev nesse seriado. Mas também, né? A Elena era tudo o que uma pessoa não deveria ser na vida, então claramente todo mundo prefere a Kat. [SPOILER] Lembro que quando ela morreu fiquei muito puta, porque tinha prometido que se isso acontecesse não assistiria mais esse seriado. Assisti mais um tempo, esperando que ela voltasse (já que ninguém morre de verdade nessa bosta), mas quando vi que não ia rolar, larguei de mão. [/SPOILER]  Mas enfim, não posso negar que, mesmo sendo maravilhosa, ela era uma baita chinelona, o que só me fazia gostar mais dela.
4. Catherine de Medici (Reign)
"Happiness is the one thing we queens wiil never have."
Essa eu comecei odiando, achava a pobre Mary tão injustiçada (ooh), mas logo a coisa inverteu e comecei a gostar bem mais da Catherine do que da Mary. Catherine é uma sobrevivente, como a maioria das personagens nessa lista, na verdade. Foi-se o marido, foi-se o filho querido, foi-se as filhas, mas o queixo continua erguido. Ela pode até ser fria e extremamente calculista, mas passar por tudo que essa mulher passou, não deve ter sido fácil,  e mesmo assim ela continua lá, protegendo o que sobrou e sendo uma vaca com quem tentar atrapalhar isso. You go, girl.
5. Morgana Le Fay/Morgana Pendragon (Camelot e Merlin)
"Era luzente e fria. Com olhos cinzentos claros, ela olhava ameaçadora e fixamente; Com lábios vermelhos claros cantava uma canção: Qual era o cavaleiro que ao olhá-la, Não a receava?"
Por último, mas não menos importante, um combo de duas personagens que são uma (?): Morgana Pendragon, também conhecida como Morgana Le Fay, Morgan, etc. Quem me conhece sabe o quanto sou apaixonada por literatura arturiana, e que sou fascinada por esse nome, por essa personagem que surgiu em tantas versões que é até difícil escolher. Tenho um post começado há tempos aqui com as variações de Morgana na literatura e no cinema, e como pretendo terminá-lo, não vou me estender aqui.
BÔNUS: Evil Queen e Zelena (Once Upon a Time)
"Once you go green, you'll never go queen."#WickedvsEvil
O bônus vai pra personagens de um seriado é daqueles bem guilthy pleasure mesmo. Os efeitos são péssimos, a história é louca e repetitiva, mas é um dos poucos que consigo sempre estar em dia. E essas duas são um dos motivos para isso. Irmãs brigando pra ver quem é a bruxa mais louca e vaca da cidade? Já quero assistir né. 
                                                                                                                                
       Estava na metade da lista e percebi que praticamente todas da lista ou foram rainhas, o que provavelmente explica muita coisa. Não devia ser fácil, sabe? Ser uma rainha. Ter que ficar sentadinha, bonitinha, apertada em um milhão de roupas e fingir que estava feliz, quando provavelmente vivia sendo mal tratada pelo marido, frustrada por não ter voz pra nada, etc. Mas essas rainhas são as que foram lá e falaram "chega", talvez por isso sejam taxadas de vacas. 
       E sinceramente? Se não ficar quieta para injustiças, se tomar a frente e se defender, sobreviver, ter ambição e conseguir o que quer, mesmo que isso machuque um ou dois egos por aí, é ser vaca... Então essa lista viria a calhar também com o nome "5 personagens que provaram que nem só mocinhas fazem parte do Girl Power".
       Mas como essas personagens adoraaaaaam uma intriga com outras mulheres (porque como tem mulher sonsa, né non?) talvez não sejam aceitas no clubinho. Mas quem liga, né? Talvez isso que me faça gostar ainda mais delas. Não são hipócritas e são, mas tão, egoístas, como todas nós deveríamos ser às vezes. E é isso aí. 


Personagens de filmes que me identifico #5 personagens

Categoria: Filmes | Tags: Aleatoriedades, 5 personagens 

1. Summer Finn (500 days of Summer)
"I don't actually feel comfortable being anyone's anything, you know. Relationships are messy and people's feelings get hurt.” 
       Acho que todo mundo já foi Summer e já foi Tom na vida. Tive a "sorte" de só ter sido Tom uma vez, porque me vejo muito mais como Summer. Gosto desse filme, pois é uma história simples que gera vários questionamentos. "Summer é ou não é uma vaca?", eu escuto bastante esse. E só o que eu digo é: "ela avisou e nunca prometeu nada para o Tom". E gente, mesmo que tivesse prometido, e daí? Todo mundo pode mudar de ideia, essa é a graça da vida. 
       Se eu estivesse com alguém e um dia olhasse para a pessoa e percebesse que não sinto nada (ou só sinto carinho, amizade, etc), porque eu seria obrigada a continuar naquela situação que no fim vai tornar ambos miseráveis? Por que eu continuaria querendo me sentir incompleta e com dúvidas? Isso me tornaria uma vaca? Talvez. Eu me sentiria uma vaca? Não realmente. 
       Então sejam mais como a Summer e menos como o Tom, porque ninguém é obrigada a permanecer e mudar de ideia, sentir-se diferente, querer algo novo, não é algo ruim. Então não force ninguém em uma situação de promessas que a pessoa não pode cumprir. E prometer ficar, independente de qualquer coisa, é a maior mentira.

Tom: Look, we don't have to put a label on it. That's fine. I get it. But, you know, I just... I need some consistency. 
 Summer: I know. 
Tom: I need to know that you're not gonna wake up in the morning and feel differently. 
 Summer: And I can't give you that. Nobody can.
2. Clementine Kruczynsk (Eternal Sunshine of the Spotless Mind)
"Too many guys think I'm a concept, or I complete them, or I'm gonna make them alive. But I'm just a fucked-up girl who's lookin' for my own peace of mind; don't assign me yours. 
       Clementine, a impulsiva. O cara tá um  pé no saco? É só apagar ele da tua mente. Se existisse realmente essa opção, eu já teria usado algumas vezes, porque - assim como a Tangerine - sou muito impulsiva. 
       Perdi a conta de quantas vezes falei a coisa mais malvada que me veio a cabeça só para causar reações. Raiva, mágoa, frustração. Se faço por mal? Não exatamente. Se me arrependo? Às vezes. Mas existe uma música que diz: "Quanta besteira a gente inventa... Cade silêncio é uma desculpa, por não saber que o que se pensa é bem pior do que se fala". Então eu falo, fujo, desdenho. Mas eu aviso desde o começo: eu sou assim, fique se quiser. 
       Também fico entediada quando me sinto na "obrigação" de algo, coisas que relacionamentos trazem, sabe? E odeio me sentir presa. Então é isso, isso que acontece comigo também, Clem. Então te entendo.

Joel: I can't see anything that I don't like about you.
Clementine: But you will! But you will. You know, you will think of things. And I'll get bored with you and feel trapped because that's what happens with me.
3. Frances Ha (Frances Ha)
"I'm so embarrassed. I'm not a real person yet." 
       Eu dava risada sozinha assistindo esse filme. Frances, tão desajustada, tão perdida no mundo, tão apegada e desapegada. Me senti ela, com o andar de pato, com a cara de esperança, com a tentativa. 
       Frances parece a forma certa de descrever alguém que cresceu só de idade, mas permanece presa a algo que não é mais, a sonhos que já não são mais possíveis. Por que, gente, alguns sonhos realmente não são possíveis, tá? Não quero ser desmancha prazeres e nem a chata pessimista, mas é verdade. E eu, muitas vezes, me sinto assim. Me sinto presa à um "eu" de anos atrás, um "eu" que não existe mais, mas ainda insiste em querer existir. É confuso, eu sei, mas na minha cabeça fez sentido. HAHA

Benji: Are you still undateable? 
 Frances: Oh yes, very undateable.
4. Amélie Poulain (Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain)
Any normal girl would call the number, meet him, return the album and see if her dream is viable. It's called a reality check. The last thing Amélie wants.
       Parece tão difícil falar sombre a pequena Amélie,  sonhadora e medrosa ao mesmo tempo. Acho que é a personagem mais complexa dessa lista e, não, não pelo nome do filme ser LE FABULEUX DESTIN D'AMÉLIE POULAIN e eu não ter a mínima ideia de como se pronuncia. 
       Gosto da Amélie porque ela é uma contradição, porque ela quer muito sentir as coisas, se apega a detalhes, repara nas coisas, anseia pelas coisas, e quando tem a oportunidade de sentir algumas dessas coisas... O que ela faz? Isso mesmo, senhores, ela corre, se esconde, faze joguinhos, pois tem medo. E quem não é assim, né? 


Raymond: So, my little Amélie, you don't have bones of glass. You can take life's knocks. If you let this chance pass, eventually, your heart will become as dry and brittle as my skeleton. So, go get him, for Pete's sake!
5. Holly Golighty (Breakfast at Tiffany's)
"It's the mistake you always made, Doc, trying to love a wild thing. You were always lugging home wild things. Once it was a hawk with a broken wing... and another time it was a full-grown wildcat with a broken leg. Remember? You musn't give your heart to a wild thing."
       Bonequinha de Luxo é um clássico, né? E com a Audrey dificilmente poderia dar errado. O tipo de filme que pode-se assistir cem vezes e sempre gostar e se identificar com a Holly. A personagem que quer tanto ser independente e não precisar de homem algum, que acaba precisando deles para quase tudo. 
       Holly não pertence a ninguém, a lugar algum, mas às vezes não pertence nem a si mesma porque levou esse modo de vida ao extremo. E o que faz quando alguém pisa na sua zona de conforto? Desdenha e bate o pé, porque é uma "coisa selvagem". O que o Paul diz para ele define exatamente como vejo a Holly, e como muitas vezes vejo a mim mesma. 


Paul: You know what's wrong with you, Miss Whoever-you-are? You're chicken, you've got no guts. You're afraid to stick out your chin and say, "Okay, life's a fact, people do fall in love, people do belong to each other, because that's the only chance anybody's got for real happiness." You call yourself a free spirit, a "wild thing," and you're terrified somebody's gonna stick you in a cage. Well baby, you're already in that cage. You built it yourself. And it's not bounded in the west by Tulip, Texas, or in the east by Somali-land. It's wherever you go. Because no matter where you run, you just end up running into yourself.
 

       Existem tantos personagens que me identifico, que gosto, que odeio, de alguma forma, que resolvi separar de cinco em cinco, dependendo do tema. Pretendo fazer de seriados e livros também.  Mas, por enquanto, é isso. Essas cinco sem dúvidas são as minhas preferidas. E eu sei, gente, tenho uma queda por personagens potencialmente problemáticas e vacas, mas e daí? Aposto que todo mundo tem. Até a próxima.


#3 things

Categoria: Bla-bla-blá | Tags: Aleatoriedades
Vi essa listinha no blog Milarga e resolvi fazer também.


Três coisas que mal posso esperar: 
• Dia do pagamento 
• Estréia de Cursed Child 
• O Vagão reabrir 
 Três coisas que me dão medo 
 • Mordred de A Torre Negra (pelo amor de Deus, o bebê vira uma aranha enquanto mama) 
• Morte 
 Ser assaltada 
Três coisas que me dão preguiça 
• Extremistas (feministas, machistas, esquerdistas, etc etc)
• Ter que ficar repetindo a mesma coisa mil vezes 
• Não poder falar ou pensar nada sem que algumas pessoas achem que me conhecem mais do que eu mesma 
Três coisas de que eu gosto 
• Dormir no inverno (no verão, na rua, no ônibus, no trabalho, nas festas, qualquer lugar ou época) 
• A risada da minha sobrinha 
• Maratonar algum seriado
Três coisas que eu não gosto 
• Internet lenta
• Batman
• Sabichões
Três cheiros que eu gosto
• Cheiro de bebê
• Café
• Sabonete de erva doce
Três cheiros que eu não gosto
• Goiaba (já era a goiaba, já era a goiaba)
• Cigarro (sorry not sorry)
• Qualquer perfume ou creme de frutas vermelhas
Três comidas GIMME MORE
• Pão de fucking queijo
• Lasanha
• Sushi
Três comidas “prefiro a fome”
• Bife acebolado
• Arroz doce
• Qualquer coisa com cebola
Três redes sociais favoritas
• Instagram
• Twitter 
• Tumblr
Três redes sociais desgracentas
• Snapchat
• WhatsApp (eu não tenho paciência)
• Facebook (amor e ódio por essa)
Três bebidas preferidas
• Coca-Cola
• Nescau
• Tequila
Três bebidas que URGH
• Suco de limão
• Caipirinha
• Água de coco (qual é o sentido?)
Três coisas que eu quero fazer
• Carteira de motorista
• Viajar
• Escrever mais
Três coisas que eu deveria fazer
• Viajar 
• Estudar
• Assistir menos seriado (sorry not sorry 2)
Três coisas que eu sei fazer
• Panquecas
• Rolinho com a língua
• Dar vácuo em todas as redes sociais
Três coisas que eu não sei fazer
• Todos os tipos de comida que não sejam: panquecas, guisado e massa
• Receber elogios sem ficar me explicando
• Fingir que gosto de alguém
Três coisas que estão na minha cabeça
• O almoço, sempre o almoço
• Minha cama
• Nova temporada de Sense8
Três coisas que eu falo bastante
• "Bah"
• "Sério?"
• "Tenso"
Três assuntos de que eu falo bastante
• Filmes | Seriados
• Scarlett Ingrid Johansson
• Literatura
Três coisas que eu quero
• Descobrir o que realmente quero da vida, em termos de profissão
• Convencer todos os leitores do mundo que a orelha do livro NÃO É marcador de páginas
• Cabelo lindo, sedoso, sem frizz, sem raiz por fazer e sempre tonalizado no tom mais lindo de laranja foguinho
Três coisas que me acalmam
• Meus cachorros 
• Meu quarto
• Minha família
Três coisas que me estressam
• Alunos com livros em atraso/extraviados na biblioteca
• Me sentir presa
• Acordar cedo
Três coisas que eu vou fazer essa semana
• Assistir seriado
• Dançar
• Pintar o cabelo
Três coisas que eu fiz na semana passada
• Arrumei meu quarto
• Assisti seriado
• Dormi


No Sunlight #Fanfic
Categoria: Bla-bla-blá | Tags: Fanfic, Harry Potter
       A ideia havia surgido quando um dos calouros passará a perseguir James pela escola em todos os dias que havia treino de Quadribol, querendo saber como tudo funcionava. James não podia ficar explicando cada passo enquanto treinava, pois – agora como capitão do time, precisava focar em passar estratégias em campo. 
       Então, depois de conversar com Madame Hooch sobre, decidiram que algumas aulas de voo dos alunos da Grifinória teriam presença do time de quadribol da casa.
       No início, os professores ficaram relutantes com a ideia de os alunos do time perderem outras aulas para participarem das aulas dos calouros, mas James ganhou McGonagall quando sugeriu fazerem um time mirim, cada jogador sendo tutor de dois primeiranistas, assim formando um time. Era uma brincadeira, é claro, mas que ajudaria no espírito esportivo dos novatos. 
       O primeiro “treino” estava sendo um tanto tumultuado e James estava quase arrependido de ter tido aquela ideia. Os primeiranistas praticamente brigavam pelos jogadores e posições. No fim, tiveram que colocar o nome de todos em um grande saco e sorteá-los. 
       James acabou ficando com Susie Bell, uma menina alta com cabelos castanhos escorridos que batiam quase nos cotovelos dela, dando a impressão de que pesavam mais do que ela mesma. Parecia ágil, mas um tanto distraída. Também tirou Patrick Sloper, de longe o mais nervoso por ter ficado com o “grande artilheiro, James Potter”, segundos palavras dele. Tinha um tique nervoso de ficar batendo o pé enquanto James tentava explicar o básico sobre o jogo, pois queria interrompe-lo para dizer que já tinha lido tudo sobre em Quadribol através dos séculos.
       – Eu sei que você já leu isso, Sloper. Mas na prática é um pouco diferente, então vamos focar, ok? – cortou James, depois da quarta vez que o aluno interrompia uma demonstração com a goles. 
       O burburinho deixava claro que os calouros estavam ansiosos para voar, mas era importante fazerem um jogo em solo para que eles entendessem, afinal poucos ali conseguiriam voar e jogar ao mesmo tempo sem ter experiência em voo. 
       O jogo havia sido OK, o time “A” ganhando por 160 pontos. Madame Houch enfeitiçou o pomo para que o mesmo não voasse mais do que um metro e meio, então não demorou quase nada para que Pauline Starkey, uma aluna miudinha e risonha, pegasse o pomo, ficando toda vermelha ao perceber que o havia feito. 
       – Consegui! Peguei! – pulava. James riu e cutucou-a, gostando de ver quão felizes eles ficaram com aquele pequeno jogo. Estava na hora das vassouras. 
       – Bom, acho que vocês já entenderam, não é? – conseguiu falar assim que todos se acalmaram. – A professora Houch já deixou as vassouras em posição para que vocês possam aprender o básico sobre voar, espero que na próxima aula possamos jogar no ar. 
       Novamente um burburinho de alegria enquanto todos corriam para conseguir uma vassoura.
       A pequena Starkey ficará tão empolgada com o pomo que acabou sendo a última a escolher a vassoura, então acabou ficando sem. Encheu os olhos de lágrimas e encarou a professora, sem entender. Madame Houch apressou-se a pedir para James buscar alguma vassoura para ela. Ele deu um piscadinha para a menina, que sorriu envergonhada e saiu quase em disparada para o castelo. 
       Depois de procurar em dois armários de vassouras, acabou subindo três andares, tendo certeza que encontraria alguma coisa ali, pois poucos alunos subiriam tanto por uma vassoura. Mas James tinha alguns segredinhos.
       Sem fôlego, empurrou a porta, apertando os olhos ao perceber que não estava sozinho ali. 
       – Evans, é você? O que foi? – James sussurrou, quase encolhendo-se ao som dos soluços dela. 
       Lily estava sentada em um dos baldes distantes da porta. O acústico do armário de vassouras fazia seu choro parecer mais alto do que realmente era. 
       – Me… me deixe em paz. Por favor. – resmungou ela entre um soluço, as mãos trêmulas tapavam o rosto enquanto ela se encolhia ainda mais, como se assim pudesse camuflar-se a parede. 
       James mordeu o lábio, indeciso. Claro que ele não havia entrado ali de propósito, como ela provavelmente pensaria. Estava apenas procurando uma vassoura boa. Só isso. Sabia que deveria ter simplesmente saído, antes que ela desse por conta que ELE estava ali, sem contar que Lily parecia querer ficar sozinha, indo tão longe para esconder-se. Mas alguma coisa na forma como seus ombros pequenos subiam e desciam entre os soluços o fez ter a necessidade de abraçá-la. E foi por isso que ele entrou no armário e fechou a porta, já esperando pelo jorro de xingamentos. 
       – Vá embora! Estou pedindo, vá. – ela grunhiu de um jeito quase inaudível por causa do choro. 
       – Ei, calma. Quero ajudá-la. – James sussurrou em resposta, puxando um dos baldes e virando de cabeça para baixo para que pudesse sentar ao lado dela. 
       Aquilo pareceu a gota d’água para a garota, que limpou as lágrimas na manga do uniforme e empinou o queixo, o fuzilando com o olhar. 
       – Saia já daqui, Potter! – disse entredentes. – Não pode me deixar em paz nunca? Não quero você aqui, não percebe? Suma. – completou de um jeito quase histérico. Então, caiu no choro novamente, parecendo extremamente desolada. 
       Por instinto, James passou um dos braços no ombro dela, na tentativa desesperada de confortá-la. Não sabia ao certo o que fazer, mas não conseguiria conviver consigo mesmo se a deixasse naquele estado. Sozinha. Esperou pelo pior, ser empurrado, azarado, qualquer coisa, mas para sua enorme surpresa, Lily deixou-se jogar nos braços dele, afundando o rosto no peito do cara que ela menos suportava no mundo. Talvez tenha sido o toque, a tentativa de ajuda, a óbvia preocupação naquela voz. Ele enrijeceu, pego desprevenido pela reação dela. 
        – Calma, vai ficar tudo bem… vai ficar tudo bem. – sussurrou contra o cabelo dela, tentando lembrar-se de como a mãe o reconfortava quando era um garotinho.
       Não era muito bom naquilo, mas não era qualquer garota ali. E mesmo que fosse, seria incapaz de deixar alguém naquele estado sem tentar ajudar. Mas vê-la assim o deixou meio apavorado, então tudo que ele conseguiu fazer foi puxá-la delicadamente contra si e ficar sussurrando que tudo ficaria bem, como se assim pudesse roubar a dor dela para si. 
       – Pro… promete? – Lily soluçou, mal pensando antes de falar. É claro que James não poderia resolver ou prometer aquilo, mas ela não ligou. 
        – Prometo, lírio. E vou bater no idiota que fez você chorar assim. – completou entredentes. 
        – Não… Não de novo… – ela engasgou. E chorou. Chorou mais. James esperou, em silêncio, mantendo-a agarrada ao seu peito. Não sabe quanto tempo passou-se até que os soluços diminuíssem e finalmente parassem. Naquela altura, os dois já estavam no chão sujo do armário; ele encostado na parede, e ela agarrada à ele. Ele olhou para o rosto dela e ofegou ao ver aquele par de olhos verdes o espiando, mesmo com o rosto ainda meio escondido ali. 
        – Obrigada. – Lily murmurou, a voz voltando ao normal, mesmo que parecesse fraquinha em comparação a voz confiante de sempre. James achou que ela levantaria e sairia correndo, mas Lily não fez isso. Pelo contrário, apenas voltou a fechar os olhos e encolheu-se mais ali, parecendo travar uma batalha interna sobre o que deveria ou não fazer a seguir. 
        – Shhh, não precisa agradecer por nada. – Ele murmurou, os dedos fortes passando levemente de cima a baixo pelos longos cabelos dela, mal encostando na tentativa de ser delicado e não assustá-la. 
        – Preciso. Me sinto bem melhor. E nem mereço que seja tão legal comigo. 
        – Pare com isso, Lil. Sabe que eu adoro socorrer damas em perigo, não sabe? – James deu um a risadinha hesitante, como se estivesse com medo de que ela corresse ao menor sinal do “velho biltre James”. Sempre o mesmo medo. 
        – Quem disse que eu estava em perigo? – ela desdenhou, forçando um riso fraco enquanto desencostava-se um pouco dele, o encarando enquanto batia as vestes, tentando tirar um pouco do pó. 
        – Ah, essa é a Evans que conheço mesmo, sempre auto-suficiente. – o garoto deu uma piscadinha, logo voltando a ficar sério. Estendeu uma das mãos para afastar uma mecha ruiva que caia sobre o rosto ela, mas na última hora desistiu. Ela percebeu e desviou o olhar. 
        – Então… Quer me contar o que aconteceu? – James disse, como se tentasse mudar de “assunto”. Lily deu de ombros, esticando as pernas e parecendo de repente muito distraída com um fio puxado da meia cinza pelos joelhos. 
        – Acho que no fundo você já sabe, Potter. Tem a ver com o seu showzinho do outro dia, lembra? Com Se… Snape. E o que ele disse. – murmurou, sem encará-lo. 
        – Hum… Sobre o que ele disse… Você sabe que eu nunca te chamaria daquilo, disse aquele dia e repito quantas vezes precisar. Nunca chamaria. – esclareceu James. 
        – Eu sei… - sussurrou Lily quase para si mesma. Por que no fundo, sabia que ele nunca teria coragem de fazer algo assim. Não com ela. O que não tornava as coisas tão melhores assim para o lado dele. 
        – E quanto ao Ranhoso… Ok, Snape - corrigiu em um tom de nojo ao ver o olhar de reprovação que Lily lhe lançou. – Desculpe, Lily, mas você sabe o que ele é. E se não é ainda, o que vai ser em breve. Sei que ele é seu amigo e que você tem um coração bom demais para realmente perceber, mas nada de bom pode vir dele agora. 
        Lily encolheu-se, puxando as pernas e as abraçando enquanto encostava o queixo nos joelhos, voltando a encarar o garoto a sua frente. 
        – Não fique chateada, não quero irritá-la ou magoá-la. Só… Me preocupo com você. Não me pergunto o motivo, pois nem eu sei direito. Mas vê-la com ele… Sabendo o que ele é, eu fico meio maluco. Se ele te fizer algum mal, nem sei o que faço. – completou, quase a contragosto. 
        – Olha… Eu não concordo com 95% das coisas que você e - principalmente - o Black fazem. Acho que deixei isso claro. Vocês são extremamente inteligentes, se ao menos usassem isso para o bem. Mas eu sei, não adianta nada eu dar um sermão, nada vai mudar. Vocês ainda vão escolher o caminho errado. Só que… Nunca tão errado quanto o que o Severo escolheu. Eu sei que não tem volta, mas dói deixar um amigo, que é quase um irmão, ir.       
        James disfarçou um sorriso ao ouvir “irmão”, mas logo se recompôs. Abriu a boca para dizer algo, mas Lily levantou-se em um pulo após conferir o relógio de pulso. 
        – Estou atrasada! Ah… – resmungou apressada, juntando os materiais do chão e conferindo o rosto inchado em um pequeno espelhinho que carregava na mochila. – Preciso ir. 
        Ia avançando para a porta, mas parou de súbito, virando para encarar James. 
        – Queria agradecer… Foi muito legal da sua parte, desculpe pelo choro, por meleca-lo com lágrimas… – Sorriu amarelo, parecendo envergonhada. – Se puder, por favor, guardar isso pra você. Não quero preocupar ninguém… 
        – Sim, tudo bem, não se preocupe. Minha boca é um túmulo. – sorriu James em resposta. 
        – Obrigada, James. Tchau! – respondeu Lily, a voz sumindo pelo corredor enquanto ela corria para algum outro lugar. 
        Deixando James sozinho no armário escuro, um pequeno sorriso triste nos lábios. 
        E um segredo para guardar.